O roteirista Muneyuki Kaneshiro e o ilustrador Yusuke Nomura explicaram como Blue Lock foi concebido para ultrapassar os limites habituais do mangá esportivo. Em entrevista realizada durante o Kodansha House, os autores disseram que a combinação entre futebol e histórias de batalha estava presente desde o desenvolvimento inicial.
Kaneshiro partiu da ideia de reunir 300 estudantes em uma disputa por vagas, tratando cada confronto como uma situação decisiva. O conceito de ego também nasceu de sua percepção sobre o futebol japonês, especialmente da frustração diante de jogadores que preferiam passar a bola em momentos nos quais poderiam tentar o gol. Sua experiência pessoal com o tênis ajudou a orientar a ênfase em duelos individuais dentro de uma modalidade coletiva.
Nomura, por sua vez, levou para a série recursos visuais que já explorava em trabalhos anteriores, como a atenção aos olhos, às auras e às figuras monstruosas associadas aos impulsos dos personagens. O objetivo era tornar a intensidade das partidas compreensível e atraente mesmo para leitores pouco familiarizados com futebol.
As explicações ajudam a esclarecer por que Blue Lock trata cada jogada como confronto psicológico. A competição esportiva continua no centro da obra, mas a encenação aproxima seus atacantes de combatentes que precisam descobrir e afirmar uma identidade própria.