Turi Kaizen

ANáLISE · REVIEWS DE EPISóDIOS

Aoashi Season 2 - Episódio 1 Review

O time A não precisa de discurso para deixar claro o tamanho do salto. Basta colocar duas bolas em campo.

O primeiro treino do time A é uma bela maneira de lembrar que promoção não é chegada. Quando entram duas bolas em circulação e os jogadores precisam pensar no próximo passe antes mesmo de dominar, Aoashi transforma um exercício básico em suspense. Ashito até enxerga algumas soluções, mas o corpo e a técnica ainda chegam atrasados. A diferença entre saber o que fazer e conseguir fazer na velocidade exigida é o episódio inteiro.

Personagem em cena de Aoashi Season 2.

A encenação entende muito bem essa frustração. Os nomes gritados em sequência, os cortes rápidos e a bola atravessando o quadro criam uma pressão quase física. Não é uma partida, mas a sensação é de estar sendo caçado pelo próprio raciocínio. O detalhe mais cruel é Ashito perceber que nenhum companheiro o tinha no campo de visão. Para alguém cuja evolução depende justamente de enxergar o campo inteiro, ser invisível dentro daquela engrenagem dói mais do que simplesmente errar um passe.

Também gostei de como o episódio não transforma essa humilhação em derrota melodramática. Ashito fica abalado, claro, mas termina encarando aquilo com um entusiasmo quase assustador. O sorriso diante do abismo combina com ele: a equipe A não é uma recompensa, é finalmente o ambiente que pode obrigá-lo a mudar de verdade. Kuroda acompanha melhor, enquanto Togashi e Ohtomo sofrem ainda mais, e essa distribuição de dificuldades evita que a promoção pareça um atalho coletivo.

Fukuda funciona especialmente bem neste começo. A decisão de trazer Kuribayashi de volta da equipe principal nasce de uma leitura concreta: o garoto está jogando para responder ao público, à imprensa e ao treinador, até correr o risco de se machucar. A conversa entre os dois é calma, mas tem uma tensão ótima, porque Fukuda reconhece o talento e, ao mesmo tempo, corta o impulso de provar valor a qualquer custo. É uma boa apresentação do tipo de formação que a série quer discutir.

Fukuda aparece sorrindo em close, com uma mão levantada junto à cabeça de outro personagem.
A postura descontraída de Fukuda contrasta com a exigência que ele impõe aos jogadores.

O humor aparece nos lugares certos, sobretudo no desespero de Ohtomo, na agressividade de Togashi e no jeito quase casual com que o grupo recebe os novatos. Yoshitsune também ajuda a impedir que o treino fique sisudo demais. Ainda assim, a série não suaviza a crueldade social do ambiente: alguém chega, atrasa o coletivo e ouve diretamente que deve sair.

O episódio termina antes de oferecer qualquer compensação, e essa escolha é acertada. Ashito chegou ao ponto de partida, não ao próximo degrau. Depois de uma espera tão longa, encontrar a série novamente em um treino que trata leitura espacial, velocidade e adaptação como drama já é uma excelente promessa para esta nova fase.

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