Jiro e Reiji começam o episódio como dois garotos incapazes de conversar sem transformar qualquer frase em provocação. A diferença é que, desta vez, a rivalidade ganha uma encenação mais clara. Reiji controla distância, ritmo e espaço com a espada de madeira, enquanto Jiro aguenta o castigo e espera uma abertura. O golpe que quebra a arma não é exatamente uma demonstração de superioridade, mas uma solução esperta para uma luta limitada. A cena funciona porque o episódio deixa a técnica aparecer antes de explicar tudo.

O melhor detalhe vem depois, quando Jiro oferece um suco a Reiji. Ele reconhece que teria morrido se a luta fosse real, mas também sacode a lata para fazê-la espirrar no rival. É uma síntese bastante honesta do personagem: impulsivo, infantil e incapaz de abandonar uma chance de provocar alguém, mas disposto a admitir quando recebeu uma vantagem. A parceria ainda está longe de ser amizade, porém o episódio encontra um pequeno gesto que vale mais do que uma declaração de companheirismo.
Também gostei do uso dos uniformes e dos modos de camuflagem. A transparência parcial e o disfarce cotidiano transformam a preparação da missão em comédia de observação, sem interromper completamente a função prática da tecnologia. Usami e Ichika ajudam a vender o absurdo da situação, enquanto Shiba continua parecendo o adulto que tenta organizar uma excursão formada por adolescentes briguentos. A piada sobre homens resolvendo tudo na pancada é óbvia, mas o olhar exausto de Ichika dá a ela o timing certo.
Uma pista enterrada
Quando a equipe chega ao mausoléu onde Rago estava selado, a atmosfera muda de maneira convincente. O corredor subterrâneo, a pedra que reprime energia sobrenatural e a escuridão prolongada dão peso físico ao passado de Rago. Pela primeira vez, a prisão dele parece menos uma informação de origem e mais uma experiência concreta de abandono. A perda de memória impede uma revelação completa, mas cria uma dúvida melhor: quem o libertou conhecia Rago antes do selo e queria usar seu poder contra humanos e contra o serviço secreto.

O problema é que Jiro reage a essa descoberta como se toda investigação pudesse ser resolvida encontrando alguém para socar. A irritação de Reiji diante da metralhadora de informações é compreensível, e a série parece saber que seu protagonista é limitado nesse terreno. Ainda assim, às vezes a caracterização passa do impulsivo para o simplesmente obtuso. Rago continua sendo a presença mais singular do grupo, especialmente quando sua arrogância convive com lacunas que nem ele consegue preencher.
O episódio enfim dá à Black Torch uma tarefa concreta e coloca a unidade diante de um inimigo que já estava esperando por eles. É um avanço modesto, mas necessário. A promessa agora não é apenas ver os integrantes brigando até se tolerarem. Quero ver se essa equipe consegue transformar suas diferenças em método antes que a série volte a depender somente do próximo confronto.