O melhor susto deste episódio não vem da espada amaldiçoada, mas da maneira como Reiji encara o irmão dentro da ilusão. A cerimônia da lâmina transforma uma rivalidade que parecia apenas funcional em uma ferida antiga, feita de admiração, culpa e um papel aceito cedo demais. Quando ele entende que aquela imagem não pode lhe dar respostas, a cena deixa de ser um teste de força e passa a ser um confronto com a própria passividade.

A encenação acerta ao deixar a lembrança avançar em blocos simples: o treino, a promessa entre os gêmeos, a entrada na caverna e a volta impossível de Shinji. Não há grande necessidade de explicar o trauma. O rosto de Reiji, a cicatriz e a insistência da voz do irmão fazem esse trabalho. Também gostei de ele ser o primeiro a escapar da Lótus da Insanidade. É uma solução direta, mas coerente com alguém que passou anos tentando distinguir o próprio caminho da sombra alheia.
Jiro e Ichika funcionam como contraste. Eles atravessam as próprias ilusões com mais rapidez, mas o episódio não trata isso como superioridade emocional. Jiro continua sem uma motivação tão definida quanto os colegas, e a própria estrutura reconhece essa diferença ao colocá-lo num espaço mental compartilhado com Rago. A escolha é importante porque a fraqueza de Jiro não aparece como um segredo melodramático, e sim como a falta de um objetivo que seja só dele.

É no passado de Rago que o capítulo encontra seu humor mais seco e sua melhor intimidade. Como divindade local, ele recebe reverência, comida e responsabilidade por coisas que atribui ao acaso. A irritação com os moradores é engraçada justamente porque o gato continua negando uma forma de afeto que já aceitou na prática. Depois, quando Amagi tenta empurrá-lo para uma aliança, Rago responde com a mesma teimosia que conhecemos, só que agora ela carrega uma tragédia concreta.
O episódio melhora a leitura de Rago sem absolver tudo que aconteceu. Ele escolheu o isolamento e acabou sendo manipulado por uma situação que não compreendia por inteiro. Jiro percebe isso com uma franqueza quase insolente, chamando atenção para o fato de que fugir também foi uma escolha. A conversa dos dois preserva o humor doméstico que vinha sustentando a série, mesmo quando o cenário vira massacre e memória histórica.
O ponto mais frágil está na forma monstruosa de Rago, que perde impacto em alguns quadros por causa da aparência digital pouco integrada ao restante da animação. Ainda assim, o episódio termina num lugar promissor: a equipe sai do treinamento com uma pista concreta sobre Amagi e os Oniwaban, enquanto Rago precisa lidar com o custo de continuar dizendo que não toma lados. Pela primeira vez, a falta de decisão dele parece menos uma característica engraçada e mais um problema prestes a cobrar seu preço.