Jiro mal termina de acordar e já está brigando com o dispositivo preso ao corpo. A reação é previsível para ele, mas o episódio acerta ao não tratar sua revolta como simples pose de protagonista. Pela primeira vez, o poder de Rago continua presente sem que Rago esteja ali para funcionar como freio, e a imagem de Jiro como uma espada sem bainha resume bem o problema: ele ganhou força, mas perdeu a forma de usá-la.

A sequência em que ele enfrenta Inui transforma essa ideia em encenação física. Jiro não parece um herói no controle, e sim alguém tentando atravessar o próprio corpo enquanto os adultos calculam distância e risco. A luta é curta, porém tem uma consequência dramática mais interessante que o espetáculo: Jiro percebe que quase matou pessoas conhecidas. A ameaça deixa de ser apenas o que Amagi pode fazer com ele e passa a incluir o que ele pode fazer contra os outros.
Toshimasa retorna justamente para impedir que essa culpa vire isolamento. O avô continua sendo um sujeito irritante, agressivo e muito pouco interessado em oferecer conforto do jeito convencional. Ainda assim, o tapa e a bronca têm uma função clara: ele se recusa a deixar que Jiro seja tratado como objeto descartável, mas também não aceita que o garoto transforme responsabilidade em martírio. A presença dele dá ao serviço secreto uma autoridade mais humana, mesmo quando a organização continua falando em quarentena e execução com uma frieza assustadora.
Entre interrogatório e confinamento
O núcleo de Ichika e Roren encontra o melhor timing cômico do episódio. Roren fingir que está algemado para pedir Ichika em casamento é uma piada deliberadamente ridícula, mas funciona porque Ichika responde com cálculo antes de responder com violência. Ela tenta usar a obsessão dele como ferramenta, só que a cena também mostra o limite dessa estratégia: Roren é inconveniente demais para ser manipulado com facilidade. O humor nasce do desencontro entre sedução como técnica e paixão como doença de estimação.

Também gostei da conversa entre Ichika e Kusumi, menos por anunciar que a hora de Ichika vai chegar e mais por reconhecer sua frustração concreta. Enquanto os outros estão no campo, ela fica esperando e cuidando da burocracia. É uma pequena cena, mas preserva o interesse da série por personagens que revelam afeto em espaços comuns, sem transformar cada sentimento em discurso grandioso.
O encerramento leva Jiro à floresta de Ibuki, mas a proposta é menos uma aventura nova do que um confinamento com aparência de treinamento. O serviço secreto diz que está oferecendo uma chance, embora a passagem seja de mão única e ninguém possa garantir que ele sairá. Essa ambiguidade combina com o episódio: Jiro precisa controlar o poder, mas também precisa decidir se ainda confia nas pessoas que o empurraram para dentro da floresta. A série continua derivativa em alguns atalhos de fantasia, porém aqui encontra uma pergunta própria e concreta. O que significa permanecer humano quando todos ao redor já decidiram que você é um risco?