A melhor piada de Chainsmoker Cat é que Yani pode passar algumas horas sem fumar, mas nunca passa muito tempo sem transformar a própria vida num problema coletivo. O episódio final entende isso e reúne quase todo mundo ao redor de uma ideia simples: ninguém ali sabe exatamente como viver, só desenvolveu métodos diferentes para esconder o desastre.
O capítulo funciona especialmente bem quando trata o elenco como uma rede de desajustes. Hame transforma a briga entre Yani e o Senhorio em transmissão, enquanto Imoko interpreta uma situação doméstica de Aruko como caso de negligência infantil e parte para resolver tudo com comida e bronca. São piadas exageradas, mas cada uma revela um jeito específico de cuidar dos outros: invadindo, filmando, julgando ou simplesmente aparecendo na hora errada.

O confronto de Yani com Otani é o centro mais forte. A cobrança pelo aluguel atrasado começa como discussão sobre trabalho, mas vira uma luta encenada com energia de desenho de pancadaria. O detalhe engraçado é que os dois têm alguma razão. Otani realmente sustenta o prédio e tenta manter os moradores funcionando; Yani realmente está exausta de trabalhos sem sentido, ainda que continue usando a exaustão como desculpa para não limpar o próprio apartamento. A série não resolve essa contradição. Deixa os dois se xingarem, se baterem e voltarem ao mesmo lugar.
Também gostei de como a crise criativa não recebe uma solução inspiradora demais. A escrita avança quando a personagem sai do quarto e presta atenção em coisas pequenas, absurdas e desagradáveis. Um cheiro, uma queda, um crepe, uma conversa atravessada. É quase uma defesa do método da própria série: observar o cotidiano até ele revelar uma piada, mesmo que a piada venha acompanhada de nojo.

O encerramento volta às latas, às bitucas e ao apartamento que parece ter sido organizado para continuar desmoronando. Yani pergunta o que é felicidade e responde comendo. É uma conclusão perfeita para ela, justamente porque não promete amadurecimento. Depois de tantos episódios cercada por gente que tenta puxá-la para algum futuro, Yani continua escolhendo o prazer imediato. Ainda assim, o episódio deixa claro que ela não está sozinha. Talvez essa seja a forma mais honesta de esperança que a série consegue oferecer.