Eu não esperava que o encerramento da temporada fosse parar tão longe de Sheena e Mimi, mas a escolha faz sentido. Depois do impacto do episódio anterior, a série olha para Ali e percebe que o luto não obedece ao calendário de ninguém. Ela continua frequentando aulas, arrumando o quarto de Seiran e respondendo às colegas, mas nada disso significa que tenha conseguido seguir em frente.

O episódio acerta logo no começo ao misturar a pergunta sobre Sheena e Mimi com a queda desastrada dos doces e a regra dos três segundos. É uma piada pequena, quase boba, mas revela como a escola tenta produzir normalidade enquanto as meninas carregam perdas enormes. Ali não está apenas com ciúme da intimidade das duas. Ver aquela proximidade lembra tudo o que ela perdeu e também a distância que criou das próprias amigas.
A chuva não resolve nada
A chuva funciona como atmosfera e como memória. Ela acompanha o isolamento de Ali, reaparece nas lembranças de Seiran e acaba virando o espaço em que Esther consegue falar com ela sem pressioná-la a melhorar. Gosto especialmente de como a direção não transforma o choro em uma grande catarse visual. Ali tenta organizar os sentimentos, falha, se envergonha e recua. O episódio entende que continuar vivendo pode ser uma decisão consciente sem parecer uma cura completa.

Esther é uma boa companhia para esse momento porque não oferece uma solução pronta. Ela também perdeu alguém e, por isso, consegue falar de amor sem transformar a dor de Ali em lição. A conversa sobre lutar ao lado da pessoa amada é bonita justamente por permanecer incompleta: nenhuma das duas sabe se conseguiu ser o apoio de que a outra precisava. Quando Ali diz que quer continuar sendo a pessoa por quem Seiran se apaixonou, não está prometendo esquecer. Está tentando preservar uma forma de existir que não seja apenas a sobrevivência.
Há uma leveza inesperada na corrida pela chuva e no paralelo com a lembrança de Seiran. A cena sugere uma aproximação entre Ali e Esther, mas não precisa anunciar romance para funcionar. O gesto é mais importante que a promessa. No fim, Ali convida Sheena e Mimi para jantar. É uma mudança mínima, quase doméstica, e justamente por isso convence. Ela não supera a perda, apenas volta a dividir espaço com quem ainda está aqui. Para uma série tão interessada em resistências cotidianas, esse é um encerramento coerente e delicadamente agridoce.