Turi Kaizen

ANáLISE · REVIEWS DE EPISóDIOS

Jaadugar: A Witch in Mongolia - Episódio 12 Review

Entre estrelas, tendas e ressentimentos, Jaadugar encontra uma forma íntima de transformar a política em promessa de futuro.

Eu ri da Fatima perdida entre as tendas, confundindo Töregene com a “problemática” e transformando uma operação de resgate numa visita desajeitada. É um humor pequeno, quase doméstico, mas ele segura muito bem a tensão do episódio. A corte continua sendo um lugar onde qualquer porta errada pode custar uma vida, só que as pessoas ainda precisam comer, se localizar e improvisar desculpas.

A recusa de Sorqaqtani ganha uma consequência mais interessante do que simplesmente frustrar o plano de Boraqchin. Töregene recebe uma saída conveniente, mas percebe que aceitar seria apenas obedecer ao desenho de outra pessoa. Güyük, por outro lado, tenta oferecer proteção à mãe com uma sinceridade que não combina muito com a lógica da corte. A proposta parece generosa, mas o episódio não deixa esquecer que até a felicidade pode ser usada como argumento político.

Personagem em cena de Jaadugar: A Witch in Mongolia.

O melhor momento, para mim, vem quando Ögedei chama Fatima para conversar sobre as estrelas. A cena é engraçada pela cadeia de traduções e pelo espanto de Güyük ao ver alguém falar diretamente com o Grande Khagan, mas a conversa não é só uma piada sobre etiqueta. Fatima tenta defender uma ideia de ciência ligada à criação divina, enquanto Ögedei responde com uma imagem quase infantil, a do mundo como um cavalo no meio de um rebanho celeste. Eles não chegam a um acordo, e justamente por isso a troca funciona. O império aparece ali como uma disputa entre maneiras diferentes de explicar a ordem do mundo.

Também é significativo que Ögedei peça a Fatima para apenas observar o que ele fará pela Mongólia. Há ternura no desejo de reconstruir o país para Töregene e seus filhos, mas existe paternalismo na maneira como ele transforma a felicidade alheia em prova de que venceu. A série continua desconfiando de soluções oferecidas por homens poderosos, mesmo quando eles parecem honestos.

Quando Töregene decide não desaparecer no território de Güyük e pergunta a Fatima se ela lutaria novamente ao seu lado, a antiga relação entre as duas muda de escala. Não é perdão, nem apagamento da culpa, muito menos uma aliança limpa. É uma escolha feita por duas mulheres que perderam a terra, a família ou a possibilidade de voltar ao passado. “Tornarem-se bruxas” soa menos como magia do que como a decisão de produzir uma tempestade dentro de uma ordem que insiste em parecer permanente. O título do episódio promete pradarias que nunca mudam, mas o próprio capítulo sabe que basta uma conversa, uma fuga mal disfarçada e duas pessoas recusando o destino para a paisagem começar a se mover.

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