Turi Kaizen

ANáLISE · REVIEWS DE EPISóDIOS

Pokémon Horizons - Episódio 148 Review

Uma corrida acidental transforma Koraidon e Miraidon em parceiros de uma aventura que funciona melhor quando trata Pokémon lendários como criaturas que precisam de cuidado, não apenas como espetáculo.

Eu gosto quando Pokémon deixa uma cena impossível parecer uma ocorrência de bairro: dois Pokémon lendários atravessam um festival, entram numa corrida por acidente e ainda precisam ser convencidos a comer. Este episódio encontra seu melhor ritmo justamente nessa mistura de maravilhamento e rotina. A corrida é o evento oficial, mas o coração da história está em perceber o que há de errado com Koraidon e Miraidon antes de tentar transformá-los em atração.

A abertura no festival ajuda bastante. Sorvete, sanduíches, o mercado de pulgas e a presença de Raifort dão à cidade uma vida própria, enquanto o sumiço de Roy e Liko nasce de uma distração muito concreta. O episódio não precisa inventar uma grande urgência para tirá-los do caminho. Basta um Pokémon perdido, outro aparentemente indisposto e a velha dificuldade de um grupo de crianças prestar atenção em tudo ao mesmo tempo.

Personagem em cena de Pokémon Horizons.

O cuidado com os dois funciona porque não vem de uma explicação sentimental. Liko e Roy tentam entender sinais, oferecem comida, recuam quando necessário e continuam observando. A mudança acontece por gestos pequenos, especialmente quando todos dividem o que têm. Até Navi, depois de admitir que já acabou com o próprio lanche, encontra uma forma torta de participar. É uma continuação interessante do episódio anterior: Liko ainda está aprendendo a conduzir situações com parceiros que não controla, mas aqui ela não precisa comandar nada. Precisa escutar.

Quando a corrida começa, Hassaku transforma cada curva em uma final de campeonato, e o contraste entre a narração solene e os acidentes mantém o humor vivo. As equipes têm estilos claros, a encenação dá velocidade às montanhas e os cortes fazem Koraidon e Miraidon parecerem enormes demais para caber naquele evento. Ao mesmo tempo, o episódio é um pouco generoso demais com a própria solução. Depois de tanta expectativa sobre os competidores, o clímax depende de uma entrada repentina dos dois lendários, e a disputa oficial perde espaço para a imagem mais simples de pessoas se divertindo juntas.

Personagem em cena de Pokémon Horizons.

Isso não é exatamente um defeito, porque a série nunca parece interessada em transformar essa corrida num torneio esportivo tradicional. O resultado importa menos que a experiência compartilhada, a ponto de a fala final sobre os laços entre humanos e dragões soar exagerada e adequada ao mesmo tempo. O episódio entende que Koraidon e Miraidon não são apenas prêmio, mistério ou veículo. São criaturas com fome, temperamento e vontade própria. Quando a aventura termina com o grupo pensando no próximo reencontro e discutindo comida, a escala volta ao tamanho certo. Uma pequena história de Paldea, com duas lendas correndo no meio dela.

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