Turi Kaizen

ANáLISE · REVIEWS DE EPISóDIOS

Pokémon Horizons - Episódio 149 Review

Yakata e Lalamoo transformam uma obsessão absurda por textura numa das melhores comédias adultas recentes da série.

Um homem que se deixa esmagar por Pokémon fofinhos e chama isso de método de sobrevivência já seria uma boa piada. O que torna Yakata memorável, porém, é a seriedade quase burocrática com que ele trata a própria obsessão. Ele chega com cara de suspeito, fala como manual corporativo e transforma cada contato em vocabulário técnico. A graça não está apenas no trocadilho de Squipokacts, mas no contraste entre a linguagem rígida e o prazer infantil que ele tenta catalogar. Quando perde a chance de tocar um Goronya ou um Shellder, a decepção é genuína, mas nunca vira licença para forçar o Pokémon. Ele pede desculpas, inventa compensações absurdas e segue o passeio.

Personagem em cena de Pokémon Horizons.

O episódio entende bem esse cuidado e deixa Liko funcionar como ponte entre o entusiasmo de Yakata e o espanto de quem está assistindo. Navi entra na brincadeira sem filtro, enquanto Liko percebe que há regras por trás daquele comportamento estranho. A sequência do Namakobushi é especialmente boa porque transforma uma atividade simples em teste de atenção: não basta devolver o Pokémon ao mar, é preciso reconhecer a textura, o movimento e até o prazer da criatura. Os close-ups das mãos, dos corpos sendo apertados e das reações desconfiadas dão peso físico à piada. A encenação faz o exagero parecer quase plausível.

Lalamoo aparece como o contraponto perfeito. Ela fala de dureza com a mesma devoção solene de Yakata pela maciez, e a série se diverte espelhando os dois até no vocabulário. A discussão sobre a barriga de Pendrar é repetitiva de propósito, mas chega perto de esticar demais a mesma gag. O equilíbrio volta quando a batalha coloca golpes duros contra o Helping Hand: os ataques literalmente perdem força diante da maciez, e o movimento de apoio ganha uma função cômica muito clara. Não é uma grande luta, nem tenta ser. É uma disputa de princípios conduzida por Pokémon que parecem mais interessados em demonstrar suas qualidades do que em vencer.

Personagem em cena de Pokémon Horizons.

Meu momento preferido vem justamente da falta de resolução. Pendrar desaparece antes do teste de toque, então ninguém descobre se a barriga é dura ou macia. Em vez de frustrar o episódio, isso desloca o objetivo. Yakata e Lalamoo percebem que podem continuar discordando e ainda assim marcar um dia para procurar a resposta juntos. A amizade nasce da incompatibilidade, não de uma conversão repentina. É uma solução pequena, coerente com a série que vem preferindo vínculos improvisados a vitórias formais.

Depois de dois episódios acompanhando Liko aprendendo a ouvir Pokémon e pessoas, este capítulo confirma uma maturidade diferente: ela não precisa escolher entre o duro e o macio. Basta reconhecer o prazer legítimo que existe nos dois lados. Pokémon Horizons continua encontrando intimidade em lugares comuns, agora numa conversa de adultos tão esquisita que acaba sendo sincera. Só gostaria que alguns trocadilhos respirassem um pouco mais. A piada é boa mesmo quando não corre para a próxima.

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