Turi Kaizen

ANáLISE · REVIEWS DE EPISóDIOS

Pokémon Horizons - Episódio 151 Review

Entre brincadeiras, uma revanche atrapalhada e um mistério no bosque, Horizons transforma o festival de Kitakami em espaço de aproximação para Navi.

O episódio começa com Navi ganhando uma máscara e termina com ela ganhando, de certo modo, uma amizade. No meio do caminho há maçãs do amor, brincadeiras de festival, uma revanche que ninguém pediu e um Pokémon faminto confundido com ameaça. É uma bagunça bastante coerente com a personagem.

Personagem em cena de Pokémon Horizons.

O melhor aspecto está na maneira como Navi se relaciona com o mascarado. Ela não precisa de uma grande conversa nem de uma lição explicada em voz alta. Basta insistir na brincadeira, aceitar o desafio e continuar procurando quando percebe que foi enganada. A encenação deixa a curiosidade dela conduzir a cena, enquanto a máscara serve tanto como objeto de mistério quanto como convite para jogar. Quando descobrimos que havia um Pokémon por trás daquela aparência, a revelação parece consequência do comportamento de Navi, não uma informação jogada para preparar o próximo arco.

Também gostei do uso do festival como espaço dramático. O episódio não trata Kitakami apenas como cenário colorido: os jogos, as oferendas e os espaços escondidos organizam relações diferentes. Yabasocha chega querendo uma revanche contra os Trovonautas, mas a suposta batalha vira uma sequência de atividades em que a competitividade de Seille não consegue impedir a comédia. O timing melhora justamente quando a personagem tenta manter a pose e Navi responde com uma energia impossível de controlar.

Um Pokémon verde mascarado está agachado sobre um galho, diante das árvores.
O mistério ganha rosto sem perder a delicadeza.

A investigação sobre as oferendas segue uma lógica divertida de falso culpado. Kamitsuorochi parece ameaçador, ataca o grupo e ainda ganha uma batalha visualmente movimentada, mas no fim está apenas procurando comida. A solução de Metamon, confundindo os inserpentes ao se misturar entre eles, é uma boa extensão da piada dos jogos de identidade. Não é uma vitória baseada em força bruta, e sim na capacidade de Navi transformar uma brincadeira em estratégia.

Minha única ressalva é que o episódio acumula duas linhas de conflito e resolve apenas a mais imediata. O mistério das oferendas permanece aberto, enquanto Ogrepon é apresentado com uma delicadeza que combina com a leitura recente da série sobre criaturas mal compreendidas. Roy participa bem desse movimento coletivo, mas ainda funciona mais como parte da reação do grupo do que como agente principal. Mesmo assim, o capítulo entende que uma amizade pode começar com uma máscara, uma perseguição e uma brincadeira que ninguém mais leva tão a sério quanto Navi.

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