Turi Kaizen

ANáLISE · REVIEWS DE EPISóDIOS

Samurai Troopers - Parte 2 - Episódio 9 Review

Entre a despedida dos Dez Bravos e o retorno de Gai, o episódio equilibra tragédia, humor cotidiano e uma guerra cada vez mais fragmentada.

A imagem de Ramaga reunindo as almas dos Dez Bravos para completar o Escudo da Supremacia é de uma crueldade quase burocrática. O episódio começa no luto, mas não se demora em solenidade: Saizo, Kamanosuke, Sei e Isa enfrentam a morte com uma mistura de resignação, ironia e afeto que torna a cena mais dolorosa do que qualquer discurso heroico.

O detalhe mais forte está na forma como os irmãos Isa e Kamanosuke conversam enquanto tudo desaba. A vontade de continuarem irmãos em outra vida dá humanidade a personagens que, até então, poderiam ser vistos apenas como peças do conflito. Depois, o sorriso deles ganha outro sentido. Ramaga interpreta aquilo como desejo de morrer, mas a explicação posterior é bem mais interessante: o convívio com os humanos ensinou aqueles guerreiros a reconhecer alegria, gratidão e sacrifício.

Personagem em cena de Samurai Troopers - Parte 2.

Essa transformação também expõe a limitação de Ramaga. Ele absorveu corpos e poderes, mas não compreendeu o que torna alguém humano. Sua postura de rei do mundo é deliberadamente infantil, e o episódio acerta ao deixar que a própria vaidade desmonte a ameaça. Quando ele acredita ter vencido o truque de Saizo, a vitória dos Dez Bravos não é física. É a capacidade de agir por lealdade mesmo sabendo que provavelmente morreriam.

O caos também sabe fazer piada

A alternância com o grupo dos Samurai Troopers funciona melhor do que eu esperava. A equipe está atravessando uma situação sobrenatural, tentando descobrir onde Gai e Sasuke estão, e logo depois aparece presa a um teste escolar ridículo. A piada sobre abandonar o exercício na terceira página e tocar apenas músicas dos anos 80 tem um timing muito bom porque nasce da personalidade deles, não de uma interrupção aleatória.

Esse intervalo cotidiano dá peso ao retorno ao conflito. Os Troopers concentram energia no khakkhara, atravessam o túnel e encontram Ramaga usando o corpo de Gai. A reação deles não é apenas surpresa: é raiva, impotência e medo de que o amigo tenha desaparecido de vez. A batalha contra o Escudo da Supremacia entrega o espetáculo esperado, mas a defesa invulnerável serve principalmente para mostrar o tamanho do abismo entre as forças.

Quatro personagens usando armaduras coloridas estão reunidos em uma caverna diante de um guerreiro.
A equipe encara Ramaga depois de atravessar o túnel, ainda sem saber o que aconteceu com Gai.

O episódio termina abrindo uma nova frente, com os personagens diante de um espaço que não pertence às seções conhecidas do Mundo dos Celestiais. O reencontro visual com Gai é curto e perturbador, especialmente porque a própria cena seguinte já questiona se aquela figura pode ser ele. Depois de um capítulo sobre corpos roubados, memórias apagadas e identidades divididas, a pergunta deixa de ser apenas onde Gai está. Passa a ser quanto dele ainda pode estar ali.

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