Yosuke despencando de uma fábrica subterrânea enquanto Kihachi tenta salvá-lo de um cérebro elétrico gigante é exatamente o tipo de exagero que esta série decidiu abraçar no fim. A sequência é visualmente impressionante, mas também tão apressada que quase parece pertencer a outro anime. Ainda assim, no centro do desastre existe uma ideia forte: Seiroku não volta, e ninguém consegue construir uma máquina que torne essa perda menos definitiva.

O melhor momento do resgate não é a queda, mas a conversa dentro da aeronave. Kihachi finalmente diz a Yosuke que a Era da Eletricidade também pode ser um sonho dele, e não apenas uma herança do irmão morto. A reação de Yosuke, entre raiva e desespero, mostra o quanto ele ainda confunde continuar o sonho com manter Seiroku vivo. Quando Kihachi o chama de volta, há afeto, mas também uma insistência estranha, quase irresponsável, que o episódio não tenta resolver completamente.
Inako encontra o próprio ritmo
Inako funciona melhor quando está fazendo alguma coisa concreta. Ela participa do voo, ajuda a salvar Kihachi e, meses depois, apresenta o Nishiki Elétrico como resultado do próprio trabalho. O saquê não é tratado como prêmio romântico, e sim como uma conquista profissional que finalmente carrega a assinatura dela. A conversa sobre o Monte Fuji também acerta ao ligar esse desejo à memória da mãe sem transformar a cena numa explicação sentimental demais.

O problema é que a aproximação entre Kihachi e Inako chega tarde e comprimida. O passeio ao nascer do sol é bonito, e a promessa de mostrar a Era da Eletricidade soa como uma declaração de futuro, mas a série ainda precisa recorrer a uma piada sobre casamento imaginado para deixar claro o que os dois sentem. O humor continua funcionando, especialmente quando Kihachi se irrita com a própria emoção, só que a progressão afetiva merecia mais espaço antes desse fechamento.
Mesmo com a pressa, o episódio termina numa nota coerente: o futuro não nasce de uma máquina perfeita nem da tentativa de recuperar os mortos. Ele nasce quando pessoas diferentes conseguem transformar perdas herdadas em desejos próprios. Yosuke ainda sai carregando sua obsessão, enquanto Kihachi e Inako seguem em direções que finalmente parecem deles. É um final irregular, mas a imagem dos dois diante do horizonte encontra a delicadeza que a série procurou desde o começo.