A equipe passa boa parte do episódio correndo atrás de um caminhão de lixo, sempre alguns segundos atrasada, enquanto a cidade parece realmente a caminho de se afogar nos próprios resíduos. É uma ótima tradução visual do método desta série: política internacional, vírus militares e crise conjugal entram na mesma perseguição sem pedir licença.
Aramaki é quem dá forma política a essa bagunça. Ao vender um esquadrão internacional de resgate como fachada para criar um Esquadrão Blindado, ele transforma a derrota do episódio anterior em vitória institucional. A piada está no truque, mas a frase sobre rastrear o crime e eliminá-lo pela raiz pesa mais. A autonomia que Motoko queria chega acompanhada de uma autorização perigosa. A série ainda não resolve essa contradição, mas agora ela está claramente sobre a mesa.

Motoko continua sendo o centro mais divertido. Suas férias são interrompidas no pior momento possível, e a cena funciona porque não trata o desejo dela como escândalo nem como mera provocação. Ela está simplesmente aproveitando a própria vida. O constrangimento pertence a quem invade seu descanso, e o soco posterior em Batou fecha a piada com um timing impecável. Também é bom ver a Major cercada por colegas e interesses que não passam pelo trabalho. Isso dá textura a uma personagem que poderia facilmente virar apenas a máquina mais competente da sala.
O caso do HA-3 mantém a tensão entre procedimento e intimidade. A intérprete é usada como porta de entrada para um controlador de personalidade, enquanto Motoko e Togusa tentam localizar um hacker que muda de ponto a cada sete minutos. A ideia é ótima, especialmente porque o vírus transforma uma pessoa em relógio de contagem regressiva. Já a camada diplomática, envolvendo Gavel, platina e o ex-líder militar Malles, continua ligeiramente apressada. Entendo a suspeita, mas algumas conexões parecem chegar antes da cena ter tempo de deixá-las respirar.

É no caminho que o episódio encontra sua melhor comédia de observação. O trabalhador do lixo não é um vilão engenhoso: é um homem exausto, preocupado com a esposa e convencido de que está fazendo um favor para alguém do bar. Togusa, com sua irritação familiar e seu apego a uma arma antiga, ganha enfim algo além do rótulo de novato. A equipe deixa de ser apenas um conjunto de especialistas e começa a parecer um grupo de adultos muito diferentes, unidos por um emprego absurdamente invasivo.
Visualmente, a perseguição é excelente. O verde sujo da ilha, o laranja claustrofóbico dos túneis e a cidade comprimida por trânsito e lixo criam uma atmosfera própria, enquanto rádio, motores e interferências mantêm o movimento mesmo nas conversas. A série continua rápida demais quando explica sua geopolítica, mas aqui a pressa também vira característica dos personagens. Eles estão sempre tentando alcançar uma rede que já mudou de lugar. Para uma equipe recém-formada, é um começo bastante promissor.