A estreia já chega com uma acusação difícil de ignorar: esperar que os outros façam você feliz também pode ser uma forma de covardia. A voz da abertura é cruel com Koyuki, mas o episódio não descarta a crítica. Pelo contrário, transforma essa ideia numa espécie de fantasma que passa por quase todo mundo, inclusive por quem parece mais decidido.

O melhor trecho é a conversa entre Miki e Minato. Ela tenta entender como alguém pode se relacionar sem necessariamente estar apaixonado, enquanto ele começa a perceber o estrago causado por sua gentileza indiscriminada. A cena funciona porque ninguém está exatamente errado. Miki não inventou sozinha a esperança, Minato não age com malícia e Yota, ao guardar a própria dor, torna tudo ainda mais difícil de ler. Quando ele admite que não consegue chorar, o silêncio pesa mais do que qualquer explosão emocional.
Vergonha também pode ser engraçada
O episódio encontra um equilíbrio raro entre sofrimento e comédia. Os cortes para as versões caricatas dos personagens, o constrangimento no restaurante e a tentativa de Koyuki de explicar que os sentimentos de Yota não têm relação com atração física são engraçados justamente porque ela fala com uma objetividade completamente inadequada para aquele momento. Miki praticamente derrete de vergonha, e a série entende que uma conversa sincera não precisa ser solene para doer.

O problema é que a honestidade continua chegando pela metade. Koyuki finalmente admite o que sente por Minato, mas escuta dele apenas a confirmação de que ela é uma amiga. Minato, por sua vez, ainda parece incapaz de nomear o que sente, e acaba reforçando a interpretação mais dolorosa possível. A temporada começa, portanto, com pessoas tentando não machucar ninguém e produzindo exatamente esse resultado.
A chuva constante dá ao episódio uma atmosfera pesada sem transformar tudo em melodrama. Mesmo quando Miki decide agir normalmente no dia seguinte, o cumprimento animado de Yota não apaga o que aconteceu. Ele só mostra como esses quatro são bons em manter a convivência funcionando enquanto carregam pensamentos incompatíveis. É um começo forte, engraçado nos lugares certos e especialmente hábil em mostrar que amadurecer também significa aceitar que boas intenções não protegem ninguém da confusão.