A melhor entrada de Hayate Todoroki é também uma boa amostra do episódio: ele chega impondo uma ideologia de extermínio, mas passa mal no voo e precisa ser carregado pela própria pose. A comédia funciona porque não diminui a ameaça. Hayate é ridículo nos gestos, porém absolutamente sério quando fala em eliminar todo sangue de Momotaro.

O conflito com Yaoroshi finalmente deixa de ser apenas uma discussão sobre amizade. Quando ele aceita seguir a Brigada Oni, Shiki entende que não basta respeitar uma escolha individual se o projeto ao redor dela inclui matar Momos que nunca participaram da guerra. É uma evolução importante para o protagonista: a cooperação defendida por Mudano aparece agora como responsabilidade moral, não só como técnica para lutar melhor.
Também gostei de como o grupo demora alguns instantes para reagir. Ninguém transforma a partida de Yaoroshi em uma despedida melodramática. Alguns aceitam que ele tem seu próprio objetivo, outros reconhecem que a Brigada está agindo contra a lógica que eles mesmos defendem. Só quando Shiki formula o problema é que a turma decide partir. A cena mantém a personalidade de cada um, inclusive o medo de Byobugaura, e faz a união parecer uma decisão concreta, não uma obrigação de roteiro.
Hayate e Uri ajudam a sustentar o humor seco do episódio, especialmente na conversa atropelada com Shiki. O general quer falar de Kishin, liberdade e revolução, mas não consegue deixar o garoto responder uma pergunta sequer. Esse timing torna a doutrina da Brigada mais interessante como personagem: ela vem embalada por frases de impacto, mas parece incapaz de lidar com qualquer nuance.

O corte para o laboratório de Kegon muda o peso da história. Até então, o extermínio era uma ameaça verbal; quando Kusabi trata adultos e crianças como material de pesquisa, a série mostra o tipo de mundo que produz discursos como o de Hayate. A violência é perturbadora justamente por ser apresentada com naturalidade burocrática. Ainda acho a exposição direta demais em alguns momentos, mas o episódio encontra um bom contraste entre a comédia da Brigada e o horror do laboratório.
O próximo passo fica claro sem precisar de promessa grandiosa: Shiki quer impedir Yaoroshi antes que ele confunda força com justiça, enquanto a instalação de Kegon transforma essa discussão em algo urgente.