A melhor piada do episódio começa com uma bronca. Bachiko descobre que Irumi apareceu para o mundo inteiro usando arco e flecha e reage como uma mestra que gostaria de controlar o próprio discípulo, mas já perdeu completamente esse controle. O presente que ela entrega depois não transforma a personagem em alguém subitamente delicada. Ela continua tropeçando nas palavras, tentando disfarçar orgulho com reclamações. O timing está justamente nessa demora: Bachiko sabe o que sente antes de conseguir dizer.

Esse reconhecimento combina com o tema mais simpático do episódio. Os presentes recebidos pela Turma dos Desajustados são pequenos, variados e quase sempre acompanhados de alguma resistência. Alguns vieram da família, outros foram comprados a contragosto, e Soi recebe uma mensagem anônima que deixa seu constrangimento ainda mais visível. A cena poderia ser apenas uma coleção de piadas, mas funciona porque transforma o sucesso do festival e a passagem para o segundo ano em afeto concreto. Ninguém faz um discurso bonito. Eles usam um brinco, reclamam do preço, mostram o objeto aos colegas. É assim que a turma entende que está sendo observada e valorizada.
Veteranos por acidente
A conversa entre os mestres amplia essa ideia sem abandonar a comédia. Raim, Vepar, Paimon e os outros não parecem concordar sobre o que fazer com seus discípulos, mas todos reconhecem que aquela classe os obrigou a prestar atenção. A frase sobre se divertir na adversidade resume bem a força dos Desajustados, embora o episódio seja mais interessante quando mostra essa qualidade em vez de explicá-la. Até a discussão sobre candidatos a Demônio Rei aparece como uma extensão da expectativa colocada sobre os alunos, não como uma nova frente narrativa desenvolvida.
O salto para o segundo ano ganha energia quando os calouros encontram a sala dos Desajustados. A encenação exagera a reputação dos veteranos com gelo, fogo, roubos e entradas espalhafatosas, enquanto cada personagem oferece uma versão torta de hospitalidade. Clara acolhe os novatos com doçura, Elizabetta os encanta sem esforço e Asmodeus assusta todo mundo apenas por existir. É uma sequência cheia de movimento, mas o melhor momento acontece quando um calouro inseguro encontra Iruma longe da multidão.

Iruma não tenta parecer especial. Ele admite que também chegou inseguro e fala da escola como alguém que encontrou pertencimento aos poucos. A fala é simples, porém ganha peso porque vem depois de os calouros imaginarem um veterano quase lendário. O humano escondido continua sendo o mesmo garoto gentil, só que agora sua experiência já serve de abrigo para outra pessoa. Quando os amigos o encontram e o puxam de volta para a cerimônia, a piada preserva a humildade da cena.
Tenho uma pequena reserva: a segunda metade funciona mais como álbum de encerramento e promessa de continuidade do que como um episódio com conflito próprio. Ainda assim, essa escolha parece honesta. Depois de uma temporada de provas, apresentações e pressão pública, Iruma-kun prefere fechar com presentes, comida, uniformes novos e uma escola inteira começando de novo. O resultado é caloroso sem ficar meloso, e deixa a sensação certa de que crescer, aqui, também significa virar veterano antes de perceber.