Turi Kaizen

ANáLISE · REVIEWS DE EPISóDIOS

A Tale of the Secret Saint - Episódio 1 Review

Fia é uma protagonista divertida justamente porque seu maior segredo parece escapar pela boca a cada cinco minutos.

A melhor piada deste episódio é que Fia quer esconder que é uma Santa, mas parece incapaz de guardar qualquer informação por mais de alguns segundos. O contraste entre a intenção dramática e a execução desastrada funciona muito bem: ela tenta improvisar uma explicação sobre Zavilia, percebe que a história não convence ninguém e continua falando até piorar tudo. Quando a família decide aceitar aquele absurdo por pura conveniência, o humor encontra um ritmo quase doméstico, de gente acostumada a lidar com o caos da casa.

Fia Ruud aparece em close, sorrindo, com os cabelos vermelhos e o laço branco visíveis.
A leveza de Fia funciona melhor quando o episódio deixa sua personalidade aparecer nos pequenos momentos.

Esse núcleo familiar é, para mim, o melhor achado do episódio. Oria entende Fia sem tratá-la como incapaz, oferece uma poção, divide a cama quando a irmã pede companhia e ainda tenta conter os estragos depois. Os irmãos são secos a ponto de parecerem cruéis, enquanto o pai finge defender o mérito, mas rapidamente começa a calcular as vantagens políticas de um dragão negro dentro da família. A cena funciona porque ninguém precisa fazer um discurso sobre seus papéis. O carinho, a ambição e a implicância aparecem no modo como eles conversam.

O episódio pesa a mão quando volta à vida anterior de Seraphina. A traição dos companheiros e a tortura são importantes para explicar o medo de Fia, mas a repetição verbal de que ela sofreu por ser uma Santa deixa a sequência mais esquemática do que dolorosa. A ideia é forte: o título glorioso virou uma sentença. Faltou, porém, confiar um pouco mais nas imagens, nos silêncios e no rosto dela antes de explicar a mesma ferida tantas vezes.

Em compensação, Zavilia traz uma energia ótima. A relação começa com uma situação grotesca, passa por um contrato feito enquanto Fia está exausta e termina numa parceria que já tem afeto e comicidade. Ele é uma criatura lendária, mas sua função imediata é quase a de um amigo protetor que precisa balançar a cabeça enquanto a mestra inventa desculpas ruins. A encenação do encontro também ajuda: a floresta dá espaço para a escala do dragão, enquanto Fia continua parecendo uma garota perdida no próprio plano.

Personagem em cena de A Tale of the Secret Saint.

O gancho final é simples e eficiente. Fia descobre que pode usar os poderes, lembra por que não quer ser encontrada e escolhe esconder tudo até reunir aliados fortes. Não é uma promessa de sutileza, porque a própria personagem provavelmente vai transformar cada segredo em anúncio público. Mas há uma tensão boa entre o trauma que ela carrega e a vida calorosa que encontrou agora. Se a série souber preservar essa mistura de comédia familiar, perigo e pequenos gestos, já tem uma razão convincente para eu voltar no próximo episódio.

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