A melhor decisão deste retorno é colocar todo mundo numa montanha congelada e transformar a regra mais simples do treinamento no problema central: ninguém passa se alguém ficar para trás. A premissa organiza bem o episódio, mas o que realmente funciona é ver a turma reagindo de maneiras diferentes à mesma pressão.
Yaoroshi chega ao exercício carregando uma irritação que não cabe mais no papel de simples brigão. Ele quer força, combate e resultado imediato, enquanto o grupo é obrigado a pensar como equipe. A recusa dele em seguir para o cume quando aparece um adversário não é exatamente surpreendente, mas ganha peso porque contrasta com Jin. O personagem mascarado, antes tão propenso ao confronto, assume decisões mais frias e acaba ocupando naturalmente a posição de liderança.

Essa mudança aparece também no humor. A apresentação dos instrutores Nekosaki e Innami é uma sequência de observação muito boa: um parece simpático demais, o outro tosse sangue e continua otimista, e os dois logo revelam que a cordialidade era apenas parte do perigo. A piada do professor que corre devagar, mas atravessa a floresta como uma ameaça inevitável, tem um timing excelente. O episódio sabe deixar a gag respirar antes de transformá-la em tensão.
Sobreviver também é escolher
A parte mais interessante do treinamento, porém, está em Byobugaura. Ela não vira subitamente uma combatente confiante. Continua assustada, se machuca e tenta se oferecer como sacrifício para não atrapalhar os outros. É justamente por isso que o cuidado de Shiki funciona. Carregá-la, improvisar uma fogueira e procurar abrigo dão ao episódio uma intimidade que as lutas sozinhas não teriam. A série entende que vínculo também se constrói em decisões pequenas e pouco heroicas.

Quando a fuga encontra os portões torii e a ameaça deixa de ser apenas um obstáculo do exercício, a lição de Mudano ganha outra camada. Fugir é válido, lutar também, mas escolher sem hesitar passa a ser a verdadeira prova. O episódio não resolve Yaoroshi nem transforma a amizade em discurso pronto. Prefere mostrar o grupo tentando funcionar enquanto o medo, o frio e o orgulho puxam cada um para um lado.
O prólogo reforça que o conflito entre Oni e Momotaro continua preso à lógica de extermínio, e o gancho final amplia o tabuleiro com a Brigada Oni e outro Filho de Kishin. Ainda é exposição, mas chega depois de um episódio que já encontrou seu ritmo. O resultado é uma estreia eficiente, engraçada nos lugares certos e mais interessada em comportamento do que em despejar poderes novos.